Vista aérea de um pasto verde em curvas de nível, com gado branco ao longe, um açude cercado de árvores, uma estrada de terra e touceiras de bambu, e pomares e terra vermelha ao fundo, sob céu azul.

América do Sul

Do cerrado ao pampa, duas safras no mesmo ano agrícola.

Boa parte da agricultura de escala da América do Sul é uma conquista recente. A partir dos anos 1970, a pesquisa agropecuária brasileira, com a Embrapa à frente, aprendeu a corrigir os solos ácidos do cerrado e desenvolveu cultivares adaptadas ao clima tropical: terras até então consideradas improdutivas passaram a ser um dos centros da produção brasileira de grãos, fibra e carne. Mais ao sul, o pampa argentino e uruguaio reúne solos férteis, clima temperado e gerações de tradição agrícola e pecuária.

A Frontier Asset Partners atua em cinco países da região: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. No Paraguai, a soja ocupa sobretudo a Região Oriental, e os departamentos com mais gado ficam no Chaco, a oeste. Na Bolívia, quase toda a soja é cultivada no departamento de Santa Cruz, e a maior parte do gado está em Santa Cruz e no Beni.

Para quem investe com horizonte longo, a tese está menos em abrir área e mais em produzir melhor na área já aberta — com segunda safra, integração lavoura-pecuária-floresta e recuperação de pastagens degradadas, caminho que o governo brasileiro transformou em programa nacional. A contrapartida é uma diligência mais exigente: moeda volátil, regras fundiárias e ambientais próprias de cada país e uma logística que pesa no preço recebido na porteira.

Sistemas de produção

Como a terra produz.

  • Cerrado: soja, milho e algodão

    No Centro-Oeste, a soja é semeada com a chegada das chuvas, a partir de setembro; no Matopiba, a janela oficial de semeadura só abre no fim de setembro ou em outubro. Colhida, a soja abre espaço para a segunda safra — de milho ou de algodão — antes do fim da estação chuvosa. É agricultura mecanizada e de alta tecnologia, em que a janela de chuva, mapeada pelo zoneamento agrícola de risco climático, define o calendário e o resultado da segunda safra.

  • Pecuária a pasto

    A carne bovina brasileira é produzida predominantemente a pasto, embora a terminação em confinamento venha crescendo. A integração lavoura-pecuária-floresta, desenvolvida pela pesquisa pública, combina lavoura, pecuária e, em alguns casos, árvores na mesma área — e é um dos caminhos para recuperar pastagens degradadas e produzir mais sem abrir área nova.

  • Café

    O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. O arábica se concentra em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia; o conilon, no Espírito Santo, na Bahia e em Rondônia. É cultura perene, de ciclo longo: o valor está na terra, no cafezal formado, na água para irrigação e na reputação da origem.

  • Pampa: grãos e pecuária

    Na Argentina e no Uruguai, solos férteis e clima temperado sustentam rotações de trigo, milho e soja — muitas vezes com a soja semeada logo depois da colheita do trigo — ao lado de uma pecuária de corte de longa tradição. O plantio direto é amplamente adotado, e o Uruguai exige por lei a rastreabilidade individual de todo o rebanho bovino, do nascimento ao frigorífico.

  • Paraguai: soja, milho e pecuária

    O Paraguai está entre os quatro maiores exportadores mundiais de soja em grão e colhe duas safras de soja por ano: a principal, semeada do fim de agosto a meados de novembro, e a zafriña, menor, semeada entre o fim de janeiro e meados de fevereiro. Na Região Oriental, milho safrinha e trigo de inverno completam a rotação. No Chaco, a terra é sobretudo mata e pastagem, e predomina a pecuária extensiva. A OMSA reconhece o país como livre de febre aftosa com vacinação, e uma lei de 2023 tornou obrigatória a identificação individual dos bovinos, implantada a partir dos bezerros recém-nascidos.

  • Bolívia: soja e safra de inverno

    Santa Cruz planta duas safras por ano. A soja de verão ocupa a chamada zona Este, a maior, e a zona Integrada; na safra 2024/25, foi semeada de meados de outubro a meados de janeiro, a maior parte em plantio direto. No inverno de 2025, o sorgo ocupou a maior área, à frente da soja e do girassol. A soja sai do país quase toda processada, como farelo e óleo, e vai sobretudo para Colômbia, Peru e Equador.

O que procuramos

Os cinco filtros, com as regras locais.

  • Solo

    Procuramos solos profundos, bem drenados e com histórico de correção documentado. No cerrado, a fertilidade é construída ao longo dos anos — calagem, adubação, plantio direto —, e esse histórico é parte do valor da terra. O mesmo vale para o Paraguai, onde os solos ácidos pedem calagem regular.

  • Clima e água

    Chuvas regulares e uma janela de segunda safra dentro do zoneamento agrícola de risco climático. Onde houver irrigação, outorga de uso da água vigente e disponibilidade confirmada na bacia. No Paraguai, onde a agricultura é predominantemente de sequeiro e a chuva diminui muito do leste para o Chaco, séries de chuva da própria região, lidas pela frequência de anos secos.

  • Logística e acesso a mercado

    Distância e custo de frete até armazéns, esmagadoras e portos — inclusive os do Arco Norte, que ganharam peso na exportação de soja e milho. No interior, o frete rodoviário até o porto é descontado diretamente do preço recebido pelo produtor. No Paraguai, distância até os portos fluviais da hidrovia Paraguai-Paraná, que se multiplicam na região de Villeta, ao sul de Assunção; na Bolívia, o caminho até os portos do Pacífico, sobretudo no Chile, por onde passa a maior parte da carga marítima do país.

  • Segurança jurídica da terra

    Cadeia dominial completa, georreferenciamento certificado pelo INCRA, Cadastro Ambiental Rural e Reserva Legal em ordem. Estrutura compatível com a lei que regula a compra de terra rural por estrangeiros e por empresas brasileiras de capital majoritariamente estrangeiro; na Argentina e no Uruguai, o mesmo rigor com o registro e com a legislação de cada país. No Paraguai, inscrição adequada ao Registro Unificado Nacional, que desde janeiro de 2026 reúne registro e cadastro e certifica se o título se sobrepõe a outros; reserva florestal em ordem; e os planos de uso do solo que o Estatuto Agrário exige de quem compra. Na Bolívia, título saneado pelo INRA, o instituto de reforma agrária do país, e função econômico-social cumprida, verificada em campo. Nos dois países, estrutura compatível com as regras da zona de segurança de fronteira.

  • Parceiros de operação

    Operadores locais com histórico verificável em safras boas e ruins, escala de gestão e práticas compatíveis com os nossos padrões — seja em arrendamento, em parceria agrícola ou em operação contratada.

Riscos

O que pode dar errado.

Moeda e política econômica
O preço dos grãos se forma em dólar, enquanto boa parte dos custos é paga em moeda local. A terra é negociada em reais no Brasil, mas cotada em dólar no Uruguai e na Argentina. A volatilidade cambial afeta margens e avaliações e muda o melhor momento de entrar e de sair. Na Argentina, os tributos sobre a exportação de grãos mudaram várias vezes só entre 2025 e 2026. Na Bolívia, a escassez de reservas em dólar limita as importações e encarece a produção, e faltou diesel na colheita de inverno de 2026; a exportação de soja em grão depende de um certificado do governo, cuja regra mudou em 2025 e de novo em 2026. Premissas e estruturas precisam resistir a esse tipo de mudança.
Titularidade, meio ambiente e origem
Titularidade da terra, regras para estrangeiros e conformidade ambiental são riscos de primeira ordem e não se resolvem depois da compra. No Paraguai, uma lei de 2020 proíbe por dez anos converter floresta em lavoura ou pastagem na Região Oriental, e no Chaco a conversão depende de plano de uso da terra aprovado; na Bolívia, desmate ilegal não conta como cumprimento da função econômico-social. Os compradores também mudaram: a regulação europeia sobre produtos livres de desmatamento alcança soja, carne bovina e café e exige rastrear a origem até a área de produção, com aplicação a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. Na classificação de países dessa regulação, Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia são de risco padrão, e o Uruguai, de baixo risco. Para esse mercado, a rastreabilidade passa a ser condição de venda.
Regras de terra no Paraguai
O investidor estrangeiro tem por lei as mesmas garantias do nacional, mas, na zona de segurança de fronteira, nacionais da Argentina, da Bolívia e do Brasil, e empresas em que eles são maioria, só podem ter imóvel rural com decreto do Poder Executivo, salvo exceções como a residência permanente no país. Sem o decreto, o ato é nulo, e a multa é o dobro do valor da operação.
Regras de terra na Bolívia
Nenhum estrangeiro adquire propriedade na zona de segurança de fronteira, e o que for adquirido contra a regra passa ao Estado sem indenização. Fora dela, estrangeiro só compra terra particular já titulada, e precisa residir no país ou, se for empresa, estar habilitado para a atividade agropecuária. A Constituição de 2009 também limita a área da propriedade agrária adquirida desde então e faz do descumprimento da função econômico-social causa de reversão da terra ao Estado.
Clima e janela de plantio
Chuvas que atrasam encurtam a janela da segunda safra e elevam o risco do milho e do algodão. No sul do Brasil e no centro da Argentina, episódios de La Niña costumam trazer tempo mais seco. No Paraguai, as secas, muitas vezes ligadas à La Niña, afetam fortemente a produção de soja e são mais severas no oeste, no Chaco; em Santa Cruz, na Bolívia, chuvas fortes em fevereiro e março de 2026 impediram as máquinas de entrar nas lavouras prontas para colher, e a projeção da safra de verão caiu. Diversificar entre regiões e culturas e trabalhar com premissas conservadoras de produtividade é parte da resposta.
Hidrovia e frete
O Paraguai não tem saída para o mar, e a hidrovia Paraguai-Paraná leva a maior parte do seu comércio. Em 2024 e no início de 2025, anos de seca deixaram o rio Paraguai baixo, o que encareceu o frete e atrasou as entregas ao polo de esmagamento de Rosário, na Argentina. A mesma hidrovia é a principal saída da Bolívia para o Atlântico, e por ela o país exportou, em 2025, sobretudo farelo e óleo bruto de soja.

No mapa

As grandes áreas agrícolas.

Legenda

  1. 1Cerrado
  2. 2Santa Cruz (Bolívia)
  3. 3Região Oriental do Paraguai
  4. 4Pampa

Os pontos são ilustrativos: marcam grandes áreas agrícolas conhecidas da região. Não representam ativos, fazendas ou parceiros da Frontier Asset Partners. Base cartográfica: Natural Earth (domínio público).

Mapa da América do Sul com quatro grandes áreas agrícolas assinaladas: o Cerrado, Santa Cruz (Bolívia), a Região Oriental do Paraguai e o Pampa.

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  • Austrália

    A colheita chega quando o hemisfério norte entra no inverno.

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    Dados públicos de solo e de preço da terra, num mercado maduro.